68,01% das buscas no Google terminam sem nenhum clique, segundo estudo da SparkToro com dados do painel da Similarweb. Em 2024 eram 60,45%. O AI Overview aparece em mais de 20% das buscas e derruba a taxa de clique em cerca de 60% quando está presente. Os dados são do mercado norte-americano.
As buscas sem clique já são 68,01% do total no Google, e esse número explica a reclamação que mais chega até a gente: “o tráfego do meu site caiu e ninguém sabe dizer por quê”. Não caiu por causa de penalidade, nem de concorrente, nem de uma atualização de algoritmo que alguém esqueceu de avisar. Caiu porque o Google parou de mandar as pessoas embora.
O estudo é da SparkToro, com dados do painel de clickstream da Similarweb, e cobre de janeiro a abril de 2026 nos Estados Unidos. Ainda assim, antes de descartar o dado por ser americano, vale lembrar que as mudanças de interface do Google chegam ao Brasil com atraso de meses, não de anos.
O que o estudo mediu
A SparkToro acompanhou buscas reais, não estimativas de ferramenta. O resultado: em 68,01% das vezes, a pessoa pesquisa e não clica em nada. Nem em resultado orgânico, nem em anúncio.

Em 2024, essa taxa era de 60,45%. Um salto de 7,56 pontos percentuais em dois anos. Na outra ponta, as buscas que geram pelo menos um clique caíram de 39,55% para 31,99% no mesmo período.
Para efeito de comparação, em 2019 o índice rondava os 50%. Metodologias diferentes impedem a comparação direta, mas a direção é inequívoca.
O que isso significa para o seu site
Pense em cem pessoas pesquisando exatamente o termo que leva ao seu negócio. Dessas cem, 68 vão ler a resposta na própria página do Google e seguir a vida. Sobram 32 para todos os resultados juntos — orgânicos, pagos, mapa, imagens, tudo.
Ou seja: mesmo que você mantenha exatamente a mesma posição que tinha no ano passado, o volume que chega ao seu site diminui. O bolo encolheu, e a sua fatia percentual continuou a mesma.
Por isso, relatório de SEO que mostra “posição mantida” ao lado de “tráfego caindo” não é contradição nem erro de medição. É o retrato fiel do que está acontecendo.
O AI Overview é o motor disso
O resumo gerado por inteligência artificial no topo da página já aparece em mais de 20% das buscas. E, quando aparece, derruba a taxa de clique em cerca de 60%.
A lógica é simples. Quando a resposta completa está no topo, ninguém precisa entrar em lugar nenhum. Pergunta direta — horário de funcionamento, definição, comparação rápida, passo a passo curto — é respondida ali mesmo.
Curiosamente, o AI Mode, aquele modo de conversa do Google, representava apenas 0,34% das buscas no período analisado. Em outras palavras, o estrago não vem do produto novo e barulhento. Vem da caixinha discreta que já está em uma em cada cinco buscas.
SEO não morreu: mudou de alvo
É aqui que boa parte do mercado erra o diagnóstico e, consequentemente, a receita.
A conclusão apressada é abandonar conteúdo. No entanto, a resposta certa é outra: o objetivo deixou de ser o clique e passou a ser a citação. Se o resumo de IA vai responder de qualquer jeito, você quer ser a fonte que ele usa, cita e nomeia.
Isso muda o que se escreve. Conteúdo que responde direto, com dado, fonte e frase objetiva, é citável. Texto que enrola três parágrafos antes de dizer qualquer coisa, não. Da mesma forma, página com informação própria — seu número, seu caso, sua metodologia — tem chance de ser citada; página que repete o que já existe, nenhuma.
Além disso, muda o que se mede. Posição média e cliques continuam valendo, mas agora convivem com outra pergunta: quando alguém pergunta sobre o meu setor a um assistente de IA, o meu nome aparece?
Para onde o orçamento precisa ir
Agora a parte desconfortável.
Com o orgânico encolhendo, parte do volume que antes era gratuito passa a ser pago. Não é opinião de agência querendo vender mídia: é aritmética. Se 68 de cada 100 buscas não geram clique nenhum, a disputa pelos 32 restantes fica mais cara, e quem depende exclusivamente de orgânico perde previsibilidade.
Por outro lado, isso não significa trocar conteúdo por anúncio. Significa dividir melhor:
- Conteúdo passa a trabalhar para autoridade e citação, não para volume de sessão. Menos posts, mais densidade.
- Mídia paga passa a cobrir a intenção comercial, aquela em que a pessoa está decidindo comprar e clica mesmo.
- Canais próprios ganham peso. Lista de e-mail, base de clientes e WhatsApp dependem menos de algoritmo — embora, no caso do WhatsApp, a Meta tenha mudado a cobrança em 1º de outubro.
O que fazer nas próximas semanas
Separe o seu conteúdo em dois grupos. De um lado, o que responde pergunta objetiva. De outro, o que exige profundidade, ferramenta, cálculo ou opinião. O primeiro grupo vai perder tráfego e não há o que fazer. O segundo é onde vale investir.
Reescreva as aberturas. Coloque a resposta nos dois primeiros parágrafos, com dado e fonte. Texto direto é mais fácil de citar, tanto pela IA quanto por outro site.
Pare de medir só sessão. Acrescente ao relatório as consultas de marca e a presença do seu nome em respostas de assistentes. Teste manualmente: pergunte ao ChatGPT e ao Gemini o que eles dizem sobre o seu setor e a sua empresa.
Reveja a divisão do orçamento. Se o plano de 2027 ainda parte do mesmo volume orgânico de 2024, ele já nasce errado.
Em resumo, as buscas sem clique não são uma tendência do futuro: são o presente de dois terços das pesquisas. Quem continuar medindo sucesso só por sessão vai passar os próximos dois anos explicando uma queda que não tem conserto por esse caminho.
Portanto, a pergunta deixou de ser “como trazer mais gente do Google”. Virou “como ser a resposta que o Google dá”. São projetos diferentes, com equipe, formato e orçamento diferentes.
Se o tráfego do seu site caiu e ninguém conseguiu explicar direito o motivo, chama a gente. A gente mostra o que ainda dá retorno e o que virou esforço perdido.